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16 de nov de 2014

Viagem Estelar - Resenha

Viagem Estelar – Van Heber

Sinopse

A última geração de uma tripulação da nave de pesquisa ARKA retorna de sua missão de duzentos anos a seu planeta de origem: Esplendor. Ao voltar, porém, as coisas não são mais como imaginaram e uma grande aventura se inicia. Divirta-se com tecnologias além da compreensão e mundos fantásticos nos confins do universo.


Considerações

Depois de muito ler fantasia com elfos e dragões, a ficção científica de Van Heber me seduziu. Quando vi a capa parei pra pensar: por que, depois de anos de Jornada nas Estrelas e Arquivo X na infância, eu me afastei da ficção, e há tanto tempo não leio uma história deste gênero? Não sei a resposta. Talvez sejam os modismos, que fazem as editoras lançarem propagandas e propagandas de livros que parecem cópias uns dos outros, e neste momento o mercado não está voltado pra ficção, e por este motivo a publicação independente acaba sendo a única alternativa dos escritores do tema.

Vamos ao livro. A história começa com os viajantes da Arka, uma nave espacial de exploração, retornando, enfim, ao seu mundo de origem, após duzentos anos no espaço. Os tripulantes, no entanto, jamais conheceram sua terra natal, Esplendor, pois todos nasceram na nave e viajavam nela desde então, por isso estão muito ansiosos para saber o que encontrarão quando chegarem lá.

A chegada a Esplendor é tranquila até a localização do planeta, porém o que os aguarda é uma revelação perturbadora, vinda da única criatura viva que se encontra naquele mundo — e que, claramente, não é um esplendoriano como eles: a estrela de Esplendor se tornara uma Gigante Vermelha inviabilizando a vida no planeta e os habitantes, que tiveram que fugir, se refugiaram em outros mundos, evoluindo para corpos diferentes. E mais: não se passaram apenas duzentos anos: devido a um erro de cálculo nos saltos espaciais da nave, milênios já haviam transcorrido.

Embora a premissa inicial já tenha sido explorada em Planeta dos Macacos dando ao livro a equivocada ideia de uma trama sem originalidade, a Teoria da Relatividade em que o tempo passa diferente quando viajamos à velocidade da luz é quase irresistível quando falamos de ficção. E mais: o autor usa a teoria e acrescenta uma particular Teoria de Ondas, baseando-se, pelo que percebi, na teoria de que ondas sobrepostas exponenciam o efeito umas das outras. Vi algo parecido no filme O Núcleo, porém usado de forma bem diferente, em nada parecido com a relação espaço tempo que o autor usa em Viagem Estelar.

Voltando à nossa história, em busca do povo perdido de Esplendor, os tripulantes da Arka enfrentam conflitos internos enquanto seguem o caminho indicado por TK, o homenzinho azul, cuja nave faz parte do próprio corpo, sem saberem se podem confiar nele. Vi uma resenha na Amazon indicando que o leitor achou o livro curto, de não mais que vinte páginas. Pelo que vi de outras obras do mesmo autor, parece que ele lança o livro e vai atualizando os capítulos aos poucos, como se faz no Wattpad. Se for este o caso, acho isso um erro que depõe contra ele, já que, na Amazon, o leitor espera encontrar um livro completo, e raramente olha atualizações de coisas que já leu. Por isso a resenha feita pode não contemplar o livro todo, e futuros leitores podem se afastar da leitura por causa da opinião de outros. Ainda bem que não costumo olhar resenhas.

Sobre o livro, há uma nota no início que achei muito pertinente: é uma história de um autor independente, escrita, ilustrada, revisada, diagramada e publicada por uma só pessoa. É pertinente porque o maior problema do texto é com relação à revisão ortográfica. Van Heber tem uma escrita fluída, não é prolixo, mas existem muitas palavras usadas de forma incorreta e várias colocações redundantes. Também faltaram as crases, acho que todas elas.

Porém, nem mesmo isso conseguiu me tirar o interesse pela história, que apesar de ocupar menos de cem páginas, vai crescendo à medida que avançamos na leitura. Os personagens vão se tornando mais e mais fortes, e a história não fica estagnada em nenhum momento, pelo contrário: as novidades acontecem a cada minuto. Os extraterrestres criados por Heber são originais, fugindo totalmente dos homenzinhos verdes, ou babentos como alien ou de olhinhos grandes, como o ET. São criaturas com modos de comunicação próprios, com tipos de movimento particulares e com propósitos diferentes. Enquanto a jornada se desenrola, somos levados a conhecer outros mundos e outras criaturas, cujas histórias se entrelaçam com a dos personagens principais e levam a um desenrolar surpreendente, digno de um filmão de cinema. Tanto que, assim que terminei de ler, comprei o segundo livro do mesmo autor imediatamente, já que aquela aventura da Arka chegara ao fim, mas que, se podem existir outras, devem ser tão interessantes quanto a primeira.

Um autor que deve ser observado com carinho, pois acho que tem muita coisa ainda por vir saindo do universo de Heber. Quem gosta de Jornada nas Estrelas vai se sentir dentro de uma missão espacial. Recomendo este livro a todos os que alguma vez olharam para as estrelas imaginando o que poderia haver entre elas.


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