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24 de dez de 2014

O segundo obstáculo para concluir um livro






Já falei aqui sobre o inimigo primordial de todo escritor: a preguiça. Mas, aliado à timidez, (que ainda é uma característica minha em menor grau e não me prejudica hoje), eu tive outro grande obstáculo, e este ainda me persegue: quando se trata dos meus trabalhos sou perfeccionista.
O perfeccionista não é aquele que faz tudo com perfeição, mas o que acha que nada está bom o bastante. No meu caso meu perfeccionismo é bem seletivo, mas foi um grande obstáculo para vencer e permitir que o Mundo de Bhardo viesse ao mundo (frase estranha, não?). Vou explicar.
No início, passei meses e meses, depois anos e anos, vendo e revendo o mesmo início da história. Naquela época os computadores desktop eram raros, e eu não tinha um em casa. Passava muito tempo rascunhando a história no verso de grandes apostilas com uma letra que parecia psicografada. Nunca chegava ao fim porque, sempre que terminava de escrever algo novo, pensava que o começo não estava bom e decidia revisar tudo de novo e reescrever alguma coisa.
Foram longos anos assim, reescrevendo e reescrevendo dia após dia. Quando me cansava eu deixava tudo de lado e passava meses debruçada sobre uma mesa rascunhando fichas dos personagens, desenhando ilustrações dos textos, ou ainda entretida nas minúcias do mapa do mundo, que levei cerca de cinco anos para terminar (nesse ritmo). Devo lembrar que era uma criança/adolescente nessa época e que a máxima dedicação que eu conseguia ter não chegava a me manter concentrada por muito tempo. Havia também a vida real — as tarefas de escola, as descobertas da adolescência, o início do trabalho, o namoro e, frequentemente, as crises de enxaqueca, estas sim, paralisantes.
Quando comecei a passar o texto para o computador a coisa pareceu fluir um pouco, mas eu continuava achando que tudo o que eu tinha feito era amador, não estava bom e, portanto, ninguém podia ver. Pra vocês terem uma ideia, meus pais só souberam o que é que eu tanto escrevia quando o primeiro livro foi lançado. Eles sabiam que era sobre fantasia e aventura, mas não tinham ouvido o nome de nenhum personagem antes, eu não falava. Pra mim, tudo era muito cru.
Queira ou não eu estava certa. Quando finalmente me despi do meu orgulho empinado de pensar que eu poderia escrever algo que mudaria o eixo de rotação da Terra e aceitei que, como tantos outros, eu também posso errar, o texto começou a fluir. Aí, quando surgiu a autopublicação e eu decidi enfrentar, percebi que iria cair na armadilha de novo: gostando ou não, um autor indie precisa ter muitos cuidados para sua obra não ficar parecendo amadora demais, e poder parear com as editoras tradicionais.
Confesso que hesitei por achar que não pudesse fazer algo de que eu fosse me orgulhar. E sabem do que mais? As editoras grandes também erram, até com Best-Sellers! Algumas até feio demais (achei tantos erros nos livros da série Fallen que fiquei decepcionada com a Galera). Isso só me deu ânimo para acreditar que, se eu fizesse o meu melhor, poderia me orgulhar do meu trabalho.

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